24 de março de 2010

27 de fevereiro de 2010

Quase Março!

Depois de 2 anos morando em Los Angeles, e 5 meses morando no Brasil, aqui estamos, de volta, aos EUA. No momento estamos em Los Angeles, mas nosso próximo "lar, doce lar" vai ser Chicago!

Bom, pra quem não sabe muito bem por onde andei nesses últimos anos, provavelmente nem sabe que voltei ao Brasil duas vezes, pretendendo ficar brasileira de "duas vezes por todas". Porém, a vida acontece e as coisas mudam tão rápido que, se paro pra pensar, nunca me imaginei mudando tantas vezes, recomeçando a vida tantas vezes. Tenho até medo de que, no momento em que tudo se acalmar, que eu estiver finalmente onde me considere em casa, vai surgir um tédio básico... Mas nada que seja irreversível, né :)

Então, de 2004 até 2006 morei em Chicago, era Au Pair. Foram dois anos de muito auto-conhecimento, de muita festa, experiências únicas e, principalmente, de amizades que considero umas das coisas mais valiosas em minha vida. Aprendi que a distância nunca é um empecilho quando a gente realmente se importa com alguém - pelo contrário, ou torna a relação ainda mais forte de alguma forma, ou prova que certas amizades não eram tão essenciais. Mas amizades e relações a distância merece um blog diferente, quem sabe semana que vem rsrs

Em 2006 voltei ao Brasil, decidida a ficar, retomar meus planos anteriores. E então conheci o meu querido, meu xuxuzinho, a escada da minha subida. E como não poderia deixar de ser, depois de estar no Brasil por 6 meses, voltei pros EUA no início de 2007 por ele, meu amorzinho - mas com a condição de que, assim que ele falasse português suficiente, a gente faria o possível para morar no Brasil.

Dois anos e alguns meses depois, em 2009, português e emprego no Brasil arranjados, lá fomos nós quatro - eu, David, Angel e Samantha (nossas filhas caninas). Ficamos morando no Brasil por apenas 5 meses, e foi uma experiência muito intensa em vários sentidos. Cresci pessoalmente por ter que tomar iniciativas e decisões que nunca tinham parte na minha vida antes - e muitas destas eram bem mais complicadas do que imaginei. O David também cresceu muito pessoalmente e se tornou uma pessoa ainda melhor - e agora, mais do que nunca, ele faz parte da minha família. Mas depois de muitas conversas entre nós, e conversas com as pessoas as quais consideramos importantes em nossas vidas (e que sempre nos dão conselhos preciosos, vcs sabem quem são), decidimos seguir o coração e voltarmos, nós quatro, pros EUA.

Ainda estamos em Los Angeles, esperando a neve pelo resto do país passar (a gente vai dirigindo até lá), mas mais do que prontos pra viver em Chicago. Sempre me perguntam "por que Chicago?". Quem já visitou/morou por lá provavelmente entende o porque - é uma cidade completamente única. Onde se vê e se sente cada estação exatamente do jeito que ela supostamente é. Onde sempre se tem alguma coisa pra fazer, não importa que dia da semana é, não importa que horas.

É claro que esta é minha perspectiva - eu GOSTO de frio, prefiro que a "praia" tenha água doce, gosto de movimento, turista, barulho. Acho o máximo estar andando pela cidade e olhar pra cima e mal conseguir ver o céu porque os prédios altos estão por toda parte.

Enfim.

Difícil explicar... pra entender, só estando lá mesmo... em Chicago.

Assim que tudo der certo, volto a escrever, a contar como é morar no meu lugar quase ideal. Quase, porque só seria 100% ideal se todas as pessoas que eu amo estivessem lá também. Quem sabe um dia, né? ;)

23 de novembro de 2009

Ilusão VS Realidade

Fazem 3 meses e meio que estamos no Brasil, em Joinville. É claro que chegamos aqui com algumas expectativas - do que esperar da cidade, das pessoas, do que queríamos fazer, de como as coisas provavelmente aconteceriam... Coisas normais pra quem muda pra tão longe - e pra quem volta.

O nosso primeiro desafio foi conseguir alugar um apê - chegamos aqui sem fazer muita idéia da burocracia que iria ser. Mas, de certa forma, não foi uma grande surpresa, pois tivemos um gostinho da burocracia brasileira depois de um processo de 6 meses (!!!) para o David conseguir o visto permanente dele.
Junto com o desafio vieram também as vantagens de se estar aqui, pertinho da família... Nunca nos faltam apoio, ajudas, caronas, palavras de carinho - e churrascos.

Eu nunca tinha precisado comprar móveis, toalhas, ir na Celesc, essas coisas que fazem parte da vida de "gente grande" rs. Eu sabia que roupas, sapatos e eletrônicos são bem mais caros no Brasil do que nos EUA, mas não fazia idéia que praticamente todas as outras coisas são também BEM mais caras do que nos EUA - sofá, eletrodomésticos, aparelhos de celular, compras no supermercado (...). Por outro lado, tudo é muito pertinho - podemos ir andando pro trabalho, pro shopping, pro apê do pai, até o hospital é ali na esquina. É só ter sempre um guarda-chuva em mãos.

Eu também sentia falta desse "clima de final de ano" bem característico daqui - onde é calor no Natal e no Ano-Novo e onde 98% das pessoas vão à praia nessa época. Onde a gente começa o ano seguinte pisando na areia e com novas esperanças, mesmo depois de um ano inteiro batalhando por uma vida melhor. Se tem uma coisa que meu xuxu aprendeu é que brasileiro é guerreiro e que americano é mimado e reclama de "barriga cheia". E eu aprendi que na vida real a grande maioria das pessoas só apreciam as coisas boas da vida depois que as perdem - mas só quem já passou por uma situação assim vai entender plenamente do que eu estou falando. Vejo muita gente que não dá valor a ter um emprego, ou que não dá valor a mãe, pai, irmãos, vó, vô (reconhecer os esforços de alguém mas não demonstrar pra esse alguém que vc os reconhece é a mesma coisa que nada). Tem cada detalhe na nossa vida que é muito importante, mas que é comum a gente nem percebê-los.

Há esses dias o nosso aquecedor estragou... eu nunca dei tanto valor pra água quente depois de ter que tomar um banho MUITO gelado. E um ventiladorzinho faz milagres quando não consigo dormir porque está muito calor. Um cachorrinho ser a coisa mais feliz do mundo quando me vê deixa qualquer um mais animado, mesmo no dia mais cinza do ano. E um cafuné de mãe e um conselho de pai me deixa muito mais tranquila quando meu mundo tá desabando. Beijinho de vó, abraço de vô, um email;telefonema inesperado de uma amiga, chuva quando a cidade virou sauna por um dia... A vida é tão boa pra quem sabe apreciar as coisas simples.

Minha ilusão era chegar aqui, ter uma situação ideal onde as coisas seriam muito mais fáceis do que foram, onde as pessoas provassem que todas aquelas mensagens de saudades eram reais (as vezes eu ainda espero que sejam), que nossa vida estivesse estabelecida e com uma rotina.
Minha realidade foi encontrar muitas pedras no caminho, me decepcionar com bastante gente. Mas aprender que, as vezes, as coisas não acontecem do jeito que a gente quer que aconteçam - mesmo assim, me ensinam a valorizar ainda mais as coisas simples do dia-a-dia e a reconhecer quais são as pessoas que valem a pena manter em minha vida - isso não tem preço :)

10 de novembro de 2009

Brasil :)

Nessa nossa vida de idas e vindas, com tanta coisa mudando - de novo! -, achei que neste momento, fotos vão ilustrar qualquer coisa que eu queira dizer sobre essa nossa breve - mas intensa - temporada no Brasil! :)

In this life were we come and go so many times, with so many things changing - once again! -, I thought that right now, pictures will speak louder than any words I could use to describe our brief - but intense - adventure in Brazil! :)


Joinville


It doesn't need translation, does it? ;)

David and the puppies right before our long journey.

It feels even farther than it is, trust me!

Brazilian pizza - there's nothing like it!

At least grandpas and grandmas get the respect they deserve ;)

The girls love David!

Churrasco!
Sis and mom <3

Dad and David

Us <3

Campo Alegre - farm house (next 3 pictures)



Mom and sis Manu :)

Grandma

Grandpa

Sorta our wedding shower :D (next 2 pics)

Family :)

Haircut - Brazilian style!

Not much going on, is there, Sam?

I'm glad that the old street names have changed! LOL

Getting ready to steal some pizza...

My loves <3

1 de agosto de 2009

Mudanças...

Já vai ser a 4a vez que vou me mudar pra bem longe. Normalmente, quando eu falo que vou me mudar (daí pra cá, de cá praí, tanto faz), a reação das pessoas é positiva. "Ah, que legal! Vou poder te visitar." "Quê: Vai mudar de novo? Tu só passeia né!" "Não sei pra quê festa de despedida... ninguém mais fica com saudades, já acostumo contigo longe" ... hahaha e assim vai! Quem ouve pensa que é bem facinho. Joga tudo na mala e vai embora. Bom seria se fosse fácil assim.

Faltam agora, oficialmente, 8 dias pra gente mudar dos EUA pro Brasil. Depois de tanto tempo e pedras no caminho, é estranho ter vistos, passagens, reservas e documentos em mãos. A parte burocrática das mudanças que fiz nunca foram fáceis - mas nenhuma foi tão complicada e demorada quanto desta vez. Mas não é disso que quero falar agora - este blog é pra dar umas dicas pro David - e pra quem quer que for viajar ou mudar pra outro país.

Pra começar... Meu nome. É Ana - e se pronuncia Ããna - no Brasil né. Porque o país muda, e já vai se acostumando... o seu nome vai mudar também. Aqui eu sou Ênna, ou Áánna. Ás vezes até Énn. Ana Flávia - pffff, esquece, né! Áána Fllluaviiia...
E a gente nem se mudou ainda, e já abrasileiraram o nome do David - que aqui se pronuncia Deivid. Mas no Brasil já é Daví, Dêivi, Deividji. E eu que achava que o nome David seria simples suficiente... A verdade é que brasileiro acaba arranjando apelido quando o nome é complicado. No caso dele, "Gringo" seria clássico, até sem graça né!

Outra coisa... Nunca subestime a curiosidade das pessoas. Se informe sobre o seu país, seu estado e cidade. Também, em que região, exatamente (só sul não adianta - as pessoas querem saber se eh sudoeste ou sudeste) fica a sua cidade. E quantas pessoas que moram nela. E qual é o salário médio de quem trabalha. E que tipo de música as pessoas ouvem, e quantas multinacionais tem em Joinville, e a distância de Joinville pra São Paulo ou Rio de Janeiro, e se é verdade que é calor no Brasil o ano inteiro, enfim... as perguntas são intermináveis. E eu nem comecei a citar as perguntas bizarras ainda. Por isso, antes de ir pra qualquer lugar, aprenda primeiro sobre onde você mora - ou seja criativo e invente respostas, que nem eu. Porque eu não faço a menor idéia se tem mais carros a àlcool, gasolina ou flex(alcool e gasolina) no Brasil ou quantos milímetros cúbicos chove na primavera em Joinville (mas deve ser alguns trilhões). Quem quiser saber, de verdade verdadeira, usa o google e não eu :D

Se for dirigir em um país diferente, primeiro entenda como as leis de trânsito funcionam. No Brasil, sinal (ou sinaleiro, semáforo, sei lá... cada um dá um nome diferente. pra mim é sinal!), se tá vermelho, tem que esperar. Nos EUA se pode virar à direita no sinal vermelho (obviamente dando a preferência pra quem tem sinal verde). Daí, quem não presta atenção acaba levando várias buzinadas de gente impaciente nos EUA... e americano acaba levando muitas multas de furar sinal pcausa daquelas maldidas câmeras/pardais, sei lá como chama. Atravessar a rua também é um aprendizado... enquanto em um lugar o pedestre sempre tem preferência, no outro pedestre tem que cuidar até com bicicleta pq ninguém em rodas desacelera pra ver se tem gente atravessando a rua. E eu nem preciso dizer qual seria Joinville, né?!

E quanto aos idiomas... bom, tenho a impressão que as primeiras coisas que as pessoas acabam aprendendo/ensinando são palavrões. E maneiras diferentes de dizer os mesmos palavrões. Se falta toalha no seu quarto de hotel, você não faz idéia de como pedir uma. Mas pelo menos vai saber xingar se alguém te empurrar na balada. E como não citar sotaques... Quando você fez tudo direitinho, aprendeu inglês e treinou pra caramba, até assistiu filme sem legenda, e chega aqui, vai a algum restaurante e a garçonete não faz idéia do que vc tá tendando pedir - deve ser o sotaque. É igual a americano ir na lanchonete e pedir um pãozinho e suco de coco: "por favor, me vê um pauzinho e um suco de cocô" (...)

Agora, arrumar malas... olha, a única coisa pior que ter que arrumar as malas é provavelmente ter que desfaze-las. Cada vez que me mudo, tenho que deixar muita coisa pra trás - é incrível a facilidade que tenho de colecionar bugigangas. E é até ridículo o quanto eu fico triste em ter que me desfazer de caixinhas vazias ou de inúmeros batons vermelhos - eu nem uso batom. E aqui estamos, enviando trocentas caixas pelo correio, porque 2 malas gigantes pra cada um de nós não é nem perto de suficiente. Fora as coisas que deixaremos guardadas... Uggghhhh

A verdade é que estar em um país diferente é um desafio, mas também um aprendizado muito valioso. Se aprende muito sobre culturas, costumes, pessoas e, principalmente, sobre vc mesmo. Sempre existirão situações complicadas, engraçadas, estranhas, felizes - vc só precisa saber escolher quais destas situações quer transformar em memórias e quais transformar em aprendizado.