22 de março de 2011

Chá de quê?????

Toda cultura, religião e família tem suas tradições. Desde pequenos almoços de domingo até grandes comemorações que movem um país inteiro, senão vários países inteiros às vezes.

É claro que cada detalhe de cada tradição tem sua explicação, sua importância e muitas vezes chega a ser quase uma aula sobre certa cultura e sua história.

Mas, a não ser que você entenda os motivos reais de todas as tradições que fazem parte da sua vida, o que deixarei bem claro que NÃO É o meu caso, tem coisas que quando a gente começa a "filosofar" sobre elas, estas coisas começam a fazer ainda menos sentido. Mas ei, não estou reclamando, só filosofando.

Vou começar com um exemplo simples, que é parte do nosso dia-a-dia e que todo mundo faz - comer.
É claro que a gente precisa comer e beber desde sempre pra poder viver. Agora, pense na situação de ir a um restaurante. Você chega lá e tem uma mesa já a sua espera, com uma cozinha e um cozinheiro, mais um garçom que leva a comida da cozinha até a sua mesa. Daí você escolhe o que quer beber, e dependendo do que você pedir, o tamanho e formato do seu copo vai ser diferente - um cálice para vinho, um copo de cerveja pra cerveja, um copo comum pra refrigerante, um copo maiorzinho pra suco de fruta. Se você for pedir uísque ou tequila ou um martini então, as opções de copos só estariam começando.
Gente, copo é copo. Ou você acha que tomar tequila em cálice de vinho muda o gosto da tequila?Não! Talvez mude a "experiência", e as pessoas vão te achar brega. Mas só porque, um dia, alguém disse que vinho se toma em um cálice e o povo em volta gostou da idéia, esta veio a ser então a tradição até hoje.
E os guardanapos... tem aqueles de lanchonete, que parece que a gente tá limpando a boca com uma página de revista, daí tem os de papel pequenos, grandes, coloridos, com florzinhas. E daí tem os guardanapos de tecido, e tem toda uma regra de quando colocar o guardanapo no colo e na mesa. Daí, se você usa o guardanapo de babador, é brega. Mas assim, quando você está comendo, e cai comida (seu babão!), a comida cai no seu colo ou na sua blusa? Quem falou blusa acertou!! A não ser que você coma igual a pessoa que inventou esta regra... Mas então, me explica, por que o guardanapo fica no colo? Nem vou começar a falar dos talheres...

Mas deixa eu mostrar um exemplo mais simples ainda - a trajetória do macarrão em um almoço de família. Você escolhe o macarrão no supermercado, pega ele da prateleira e coloca no seu carrinho de compras. Tira do carrinho de compras e dá pra moça do caixa escanear o preço. Daí ela coloca o macarrão em uma sacola. Você coloca a sacola no seu carro. Você chega em casa, tira a sacola do seu carro, coloca a sacola no balcão da cozinha. Daí você tira o macarrão da sacola e coloca em um armário ou em uma gaveta. Daí quando chega a hora de fazer o macarrão, você tira ele do armário ou gaveta, tira o macarrão da embalagem, coloca dentro de uma panela pra cozinhar. Daí o macarrão fica pronto e você come, certo? NÃO! Você pega um escorredor de macarrão pra tirar a água. Daí você pega um prato ou uma tigela bem bonita pra servir o macarrão, porque servir na panela é feio. Daí coloca o prato/tigela com o macarrão na mesa. Você pega seu outro prato e se serve de macarrão. E todo aquele trabalho que você teve leva menos de dez minutos pra ser consumido. E a trajetória do macarrão continua depois de você consumi-lo... Mas vamos deixar os detalhes deste "finale" pra outra hora. Agora, me diz - precisa de tanto nhénhénhé só pra comer um macarrãozinho com a família?

E as comemorações... Como explicar pra uma criancinha, por exemplo, a razão do Papai Noel ter tanta preguiça de fazer a barba, e por que ele tem aquela pança de chopp e usa um gorro com pom pom em pleno verão brasileiro... E o pior - por que fazem as criancinhas sentar no colo do suado Papai Noel, em pleno shopping center, pra todo mundo testemunhar este momento de tal desespero? Nem vou começar a filosofar sobre as árvores de natal com bolas penduradas e coelhos que trazem ovos de chocolate...

Quanto a grandes festas... Festas de casamento, formaturas, aniversários. Todas estas festas comemoram ou uma, ou algumas pessoas. Porém, todas estas festas normalmente incluem bem mais convidados do que "comemorados". E, de alguma forma, aqueles que estão sendo homenageados pagam toda a comida, bebida, decoração, música. Eu tenho CERTEZA que a pessoa que inventou estas festas era alguém que nunca conseguiu nem casar, nem se formar e era alérgico a bolo de aniversário. Só pode ser.

Chá de Panela já é uma coisa mais fácil de explicar. O nome já dá a entender que você tá fazendo chá em uma panela porque ainda não tem chaleira. Não é?
Mas como se explica Chá de Bebê?? Sério, se for julgar pelo nome, quem iria a um chá de bebê?Um monte de mulher que se reúne pra comer docinhos e tomar chá... DE BEBÊ??? MEDO!

Bom, mas eu acredito que muitas de nossas tradições e comemorações nos mantém conectados com a nossa cultura e com nosso passado. Quero deixar claro que, apesar das brincadeiras, respeito muito e reconheço que cada tradição tem sua importância e sua razão de estar entre nós até os dias de hoje.

No mais, quero expressar minha apreciação à extrema criatividade de todos os pais e avós que tiveram que explicar certas tradições aos seus filhos e netos antes da existência do google - pois tenho certeza que as explicações criativas eram bem mais interessantes do que qualquer explicação que o google possa nos dar hoje. ;)


23 de fevereiro de 2011

Botas, Anas e Orelhinhas.

Faz hoje uma semana que minha prima foi embora. Ela esteve nos visitando por um mês, o qual passou bem mais rápido do que deveria.

A Tata (ou Ana, Aninha, Ana Claudia, Tata-uga, Pinguinzinha haha) é uns 4 anos mais nova que eu. Quando eu morava no Brasil, esta diferença de idade era relativamente grande, pois quando eu era "aborrecente", ela ainda era criança. Daí quando fiquei adulta ela ainda era "aborrecente". Acredito que essa foi a razão por nunca termos nos aproximado mais naquela época.
Daí fui embora do Brasil, festei "até cair a peruca" [?], depois casei, voltei pro Brasil e foi então que a gente se aproximou um pouquinho. Mas depois voltei pros EUA e novamente estávamos distantes!

No comecinho do ano a gente conversou e ela disse que vinha me visitar em Chicago. Confesso que não sabia muito o que esperar da visita, pois a gente nunca teve a chance de passar um tempinho juntas depois adultas, e fiquei meio preocupada porque ela vinha no mês mais gelado do inverno de Chicago - inverno o qual acabou sendo um dos mais gelados e com mais neve dos últimos 40 anos! E o frio de Chicago não é para os fracos... ;)

Nos primeiros dias juntas, eu e a Tata já percebemos que tínhamos várias coisinhas em comum, incluindo a aversão a acordar cedo, o estômago com um buraco negro e uma habilidade excepcional em perder elásticos pra cabelo. Quanto mais o tempo passava, mais dessas coisinhas vinham a tona e, depois de um mês juntas, a gente já tinha virado quase irmãs. Eu digo "quase" porque nenhuma relação entre irmãs de verdade é real sem alguns arranhões e puxões de cabelo, e eu e a Tata viramos irmãs bem pacíficas. Ou seja, quase irmãs! hahaha
Até porque a Manu sabe que eu sou a irmã mais chata que existe. Eu implicava até quando ela não fechava a tampinha do shampoo no chuveiro. Daí quando a Tata nunca deixava nem um copo sujo em cima da mesa, e me pedia as coisas, até se podia usar meu shampoo, eu sabia que a gente ia se dar muito bem!

Pra sobreviver o frio de Chicago, tem algumas coisas que são indispensáveis - luvas, cachecol, gorro, cerola, inúmeras meias, jaqueta gigante. Porém, tem duas coisas que são as salvadoras: botas de neve e "orelhinhas". As orelhinhas são na verdade earmuffs, que parecem fones de ouvidos acolchoados, que servem pra deixar as orelhas quentinhas. Só quem já teve a sensação de que as orelhas iriam quebrar de tanto frio é que sabe a importância das orelhinhas!
A Tata trouxe com ela, de alguma forma, a maior nevasca dos últimos trocentos anos. Tinha tanta neve que a cidade inteira parou por um dia - as escolas, lojas e restaurantes estavam praticamente todos fechados! Tinha neve até a cintura por tudo. Claro que a gente não aguentou ficar em casa... e fomos dar uma voltinha no meio da nevasca, com ventos de carregar a gente junto. Quando chegou a hora de a Tata ir embora, ela já tinha se acostumado a usar galochas, orelhinhas, e ficava com calor de jaquetão quando a temperatura ficava acima de zero. Virou praticamente uma "Chicagona"!

Nós visitamos vários museus, MUITA loja, alguns restaurantes, baladinhas e barzinhos, mas são os nossos momentos juntas em casa mesmo, as conversas, as dancinhas, pidadinhas, cantorias e escadarias que finalmente nos permitiram uma aproximação digna de irmãnzinhas! I love you, Aninha!

Claro que eu não poderia deixar de mencionar o vídeo que marcou essa aproximação. Vídeo o qual pretendemos recriar um dia. Só não deu certo ainda porque é uma dança extremamente complexa e vamos precisar de MUITA prática pra chegar a perfeição. Com vocês, a Drunk Mexican Dance!


3 de janeiro de 2011

Ano Velho

Mais um ano termina, e chega o momento de reflexão e de renovação. A gente sempre quer mais, sempre quer tanto, e não tem nada de errado com isso. Porém, a gente tende a se deixar levar por esta época de tanta pressão pra querer melhorar, mudar, precisar mais - e muitas vezes esquecemos do mais importante: quem somos hoje, agora.

Na verdade, não é o futuro que molda quem somos, mas sim o nosso passado. Cada momento feliz que fica em nossa memória nos mostra que a felicidade é simples, pequena, passageira, mas que é frequente quando a gente sabe encontrá-la. Um abraço apertado em alguém que não víamos há muito tempo, uma manhã de sol depois de uma semana cinza, o cachorrinho escolher o seu colo pra deitar mesmo com a casa cheia de gente, uma cerveja bem gelada em um dia quente, uma sopa bem quentinha em noite fria, conversas na varanda, receber uma carta/email de quem a gente gosta muito, a primeira xícara de café do dia, chegar em casa depois de um dia cheio, chorar de rir, ser saudável o suficiente pra ter planos a longo prazo, ser saudável o suficiente pra comer o que quiser, encontrar uma foto e poder lembrar do momento em que ela foi tirada como se tivesse acabado de acontecer, saber que a ausência ou a distância não diminuem o amor e a presença de alguém em nossas vidas e pensamentos, que decepção machuca muito - mas que também nos mostra o verdadeiro caráter daqueles a nossa volta, ter alguém tão próximo que a gente sabe o que este alguém tá sentindo só pelo olhar, quando sozinho não sentir solidão, mas sim sentir paz, enfim.

A verdade é que o passado e o futuro existem, mas a gente só pode controlar mesmo é o presente. Quando a gente comemora o ano novo, comemora principalmente o que passou, e cabe a nós escolher quais desses momentos que passaram são os momentos que nos fazem o que somos hoje. Cabe a nós aprender com nossos erros, e principalmente entender que são os nossos acertos que nos fazem evoluir.

Feliz ano velho, e feliz ano novo pra todos nós!

30 de novembro de 2010

Quatro

Agora em novembro comemoramos quatro anos que estamos juntos. Quatro anos de tanta coisa boa, de tanta coisa intensa, de muito aprender. Aprender sobre amor, aprender sobre dedicação, sobre estar longe e mesmo assim presente, sobre estar perto e não querer ficar longe nunca mais. Soubemos usar nossas diferenças para encontrar o nosso tão importante equilíbrio.

E tem o amor. O amor onde só palavras não podem o expressar, e só esta falta de palavras nos mostra que este amor é suficiente. Onde os momentos bonitos são lembranças valiosas, mas onde a prova deste amor vem dos momentos mais escuros, onde eu menos espero encontrar luz, você vem e me mostra conforto. E me sinto no lugar certo, completa, e com forças para poder lidar com o que quer que tenha me trazido essa escuridão.

Mas o nosso sucesso é tanta coisa mais do que amor. A gente agora sabe que a amizade nos mantem unidos. Que o respeito nos mantem tranquilos. Que as diferenças nos mantem interessantes e que os momentos que não estamos juntos nos mantem interessados. Que saber rir um do outro nos mantem leves, mas que saber a hora de levar as coisas a sério nos faz maduros e capazes de entender a importância do nosso relacionamento.

A gente sempre teve tanta coisa testando a nossa dedicação um ao outro. A gente poderia ter encontrado tantos motivos pra acreditar que não deveríamos estar juntos. Passamos estes quatro anos provando um ao outro o quanto queremos estar juntos, e eu nunca tinha pensado desta maneira antes, porque apesar de todos os desafios os quais enfrentamos, sempre temos a mente e o coração abertos e a vontade de fazer o outro feliz, o que transformou o que alguns chamariam de desafios em aventuras e muita história pra contar pros netos! Mesmo quando tudo parece estar dando errado, temos sorte. Não, na verdade, temos MUITA sorte! Sorte pelos nossos desafios serem sempre superáveis, sorte por termos saúde pra tomar qualquer rumo que escolhemos, sorte por ter pessoas pra nos apoiar, independente de qual decisão louca tomamos, e que além de tudo nos amam muito, e sorte por termos encontrado um ao outro.

<3

13 de outubro de 2010

Mobilidade Urbana

Desde que nos mudamos de Los Angeles, não temos mais carros. Quando nos mudamos pra Chicago, pretendíamos comprar um, mas considerando os custos altíssimos de se ter e manter um carro no centro de Chicago (seguro, gasolina, aluguel de garagem - porque aqui se paga pra estacionar até no próprio prédio, enfim), e pelo fato de termos muita sorte por moramos em uma área que fica no centro de tudo, com transporte público que funciona super bem, decidimos que um carro se tornou pra nós um mal desnecessário.

Depois de passar mais um momento de sufoco no trânsito caótico do centro de Joinville, meu pai me enviou um email, muito bem escrito, com um desabafo. Publico abaixo então o email escrito pelo meu pai. (Brigadinha, amore mio!)


Mobilidade Urbana - Tendências...
(Paulo Schneider)

"Preso no trânsito, sem ter como fugir dali no momento, perspectivas horríveis, stress, nervosismo, caras feias, vontade de xingar tudo e todos...Que situação !!! E o pior de tudo : a constatação de que vai ficar pior, muito pior !!!
A cada mês, a cada semana, a tendência é o trânsito ficar mais congestionado, transformando nossas vidas em um Inferno (literalmente)... Como superar isso ??? Como amenizar, como melhorar, o que fazer ???
Estas são situações que a maioria das pessoas que vivem em grandes cidades enfrenta
no dia a dia . Por que acontece isso dessa maneira tão absurda ??? Simples : ninguem hoje, em sã consciência, admite ficar sem seu próprio veículo, seja por que motivo for, mas jamais ficar sem seu precioso carro na garagem ( lembrando que numa familia de 4 pessoas adultas, todos tem seu próprio veículo).
A maior frustação da maioria das pessoas hoje é não ter um carro do ano, ou o melhor carro do prédio, ou na empresa, ou mesmo entre seus próprios familiares !!!
Por isso, pensando na vida que voces hoje estão levando na sua querida e maravilhosa
Chicago, chego a ficar com inveja . Sim, isso mesmo, inveja !!!! Sabe por que ? Vocês descobriram, contra a vontade, admito, que não ter um carro próprio, não é nenhuma situação tão terrível assim como todos temem.
Óbvio, sei que não ter um veículo em Chicago é beeemmm diferente do que em outros
lugares, mas o importante é que voces descobriram isso, estão felizes com essa nova maneira
de viver a vida, aliando qualidade de vida, prazer em conhecer cada ponto da sua cidade como
poucos, não ter preocupações (comum a quase todos os mortais) como IPVA, seguro, manutenção, estacionamento, enfim, todas as dificuldades que passamos no nosso dia a dia.
E o que tem a ver com tendências ??? Ora, simples : esta é uma tendência que numa hora,
todas as nações do mundo vão ter que seguir : tirar os veículos individuais das ruas dos grandes centros... metrô, ônibus, ciclovias, tudo vai ter de ser direcionado para o transporte em massa da população. Isto se chama qualidade de vida; ruas limpas, arborizadas, tranquilas; povo saudável caminhando pelas ruas, trânsito civilizado, menos mortes por acidentes , provocando com isso uma mudança considerável nos investimentos futuros, podendo ser direcionados para demandas mais urgentes da população e que traga mais satisfação para seus moradores.
Sei que isso parece utopia , mas se não imaginarmos um futuro melhor para nós, os humanos, se não nos preocuparmos, desde ja, em encontrar soluções para amenizar o terrível problema em que se transformou o tema "mobilidade urbana" estaremos, com certeza, caminhando rumo ao caos !!!
Por isso, meus queridos, valorizem essa característica que o destino lhes presenteou : viver livres da obrigação de ter e de usar, em todos os momentos de seu dia, o carro !!!
Aproveitem, caminhem, fotografem, cumprimentem pessoas, sejam amáveis e simpáticos, pois vocês são, com certeza, o que se costuma chamar de modernos, conscientes dos problemas de nosso sofrido mundo, e estão contribuindo para um futuro melhor para todos nós !!!"